Internautas que buscaram aproveitar descontos promovidos em lojas
on-line de grandes varejistas brasileiros na Black Friday, a partir da
meia-noite desta sexta-feira (23), encontraram vitrines virtuais fora do
ar, lentidão para carregar páginas e finalizar compras.
Em redes sociais como Facebook e Twitter, consumidores também
reclamaram de ofertas com preços inflados para forjar descontos maiores
em lojas on-line. A prática é caracterizada como “publicidade enganosa”
no Código de Defesa do Consumidor (CDC), segundo a Fundação Procon de
São Paulo (Procon-SP) e deve ser denunciada. No ano passado, os
varejistas Wal-Mart e Fast Shop foram autuados por publicidade enganosa.
"Descumprimento à oferta"
A recomendação do Procon-SP para o consumidor que não conseguir fazer a
compra na hora é tentar novamente. Caso não consiga acessar a loja na
segunda tentativa, ele deve registrar uma reclamação junto ao Serviço de
Atendimento ao Consumidor (SAC) do varejista e entrar em contato com o
Procon-SP para fazer uma denúncia.
O problema de instabilidade ou lentidão que impede a finalização da
compra on-line é caracterizado no CDC como “não cumprimento à oferta” e o
varejista pode ser notificado pelo órgão de defesa do consumidor a
prestar esclarecimentos. O mesmo procedimento pode ser adotado no caso
de “publicidade enganosa”.
"Acho um absurdo esse tipo de atitude de algumas lojas", comentou Pedro
Eugênio, presidente do portal Busca Descontos, organizador da
iniciativa que chega à terceira edição este ano. "No site www.blackfriday.com.br,
criamos alguns serviços onde bloqueamos sites que fizeram maquiagem de
preços e sites de lojas que não estavam oferecendo desconto algum",
disse o executivo ao G1. O portal passou a contar com
um botão "Denunciar" para receber alertas de consumidores sobre
promoções enganosas e registrou 500 ofertas bloqueadas até as 16h hoje.
O Busca Descontos também enfrentou lentidão e instabilidade no início
da promoção. “Nos primeiros minutos da promoção foram registrados 75 mil
acessos simultâneos, o que ultrapassou a capacidade máxima do servidor.
A quantidade de acessos na primeira hora da Black Friday Brasil 2012
superou em sete vezes o mesmo período do ano anterior”, disse a empresa
em comunicado.
O portal acrescentou que o acesso ao site já foi normalizado. “Em caso
de novos momentos de indisponibilidade, a recomendação é aguardar alguns
minutos e acessar o site novamente”, disse a empresa.
A divisão de comércio eletrônico do Grupo Pão de Açúcar, que representa
as lojas Extra.com e PontoFrio.com disse que não registrou problemas
com o acesso aos sites. A empresa informa que se preparou para receber
um volume maio de acessos no dia de hoje já que a previsão para a loja
virtual do Ponto Frio era superar as vendas das duas edições anteriores
da Black Friday.
A Saraiva informou ao G1 que ampliou a capacidade de
sua infraestrutura de e-commerce para a edição 2012 do Black Friday, mas
o volume de acessos foi superior ao previsto. Segundo a empresa, "o
site recebeu, no mesmo instante, cerca de seis vezes mais acessos,
causando instabilidade logo após a meia-noite, porém sendo rapidamente
restabelecido pela equipe de plantão".
A rede Fast Shop, que batizou sua ação promocional de "Golden Friday"
informou, em comunicado por e-mail, "que entregará a documentação que
comprova os descontos questionados nos produtos durante o Golden Friday
no prazo determinado pelo Procon".
No ano passado, a Black Friday registrou R$ 100 milhões em vendas
eletrônicas. Este ano, a promoção reúne 300 varejistas on-line e a
expectativa de faturar R$ 135 milhões, segundo o Busca Descontos. De
acordo com o portal, as categorias de produtos mais procuradas até o
momento são celulares, informática, eletrônicos, eletrodomésticos e
games.
Procurados pelo G1, os varejistas B2W, Fast Shop e
Fnac não se pronunciaram sobre as instabilidades em seus sites até a
publicação desta reportagem.
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